Estava vendo agora a tarde, uma das últimas ou a última participação de Raul Cortez na TV, em uma novela. Ele estava doente, com câncer, e na trama, a esposa dele, vivida por Glória Menezes, tem Alzheimer. O final da participação dos dois, é indo a uma grande viagem de navio, como que se encerrando uma grande etapa da vida. Nesse momento, na proa do navio, um diz ao outro:
- Amor, quando eu não me lembrar mais de nada, não esqueça de me deixar ter dignidade, mesmo que eu nem lembre mais o que é isso.
E então, ele diz:
- Meu grande amor, eu prometi a você, desde que abrimos nosso amor ao mundo, te fazer feliz, pelo resto dos nossos dias. E é pra isso que eu vivo.
- E eu sempre fui feliz ao seu lado, sempre.
Os dois se beijam e a cena termina. É emocionante, de travar a boca.
A maior emoção é um amor perdurar por tanto tempo, mesmo com ameaças, deslizes, contratempos, angústias, reviravoltas, tramas. O que se quer, quando estamos juntos a alguém é isso, ser feliz. Não nos unimos a outra pessoa para sermos infelizes, queremos amar, ser amados, ser felizes. Nas pequenas coisas, ao acordar, comer, dormir. Viver ao lado de alguém que nos traga a alegria de um dia que nasce, da noite que chega e mais um dia que se passa ao seu lado.
Quem promete amor e não cumpre essa promessa mata aos pouquinhos, a alegria dentro do outro. E muitos o fazem sem perceber, passando por cima dos sentimentos, deixando de prestar atenção nos pequenos detalhes que tanto aguçaram os sentidos no começo da relação. Um relacionamento não é começo, meio e fim. Tem que ser vivido num sempre presente, num cuidado intenso, caloroso, por vezes morno e gostoso, como numa manhã de verão, ardente por vezes, mas nunca frio.
Eu conheço casais que se amam a vida toda. Poucos, mas conheço. E dá pra sentir que na pior das experiências de vida que viveram, havia a esperança da alegria voltar. E voltava. E a felicidade estava ali, presente. E junto, o amor.
Que seja eterno enquanto dure, a felicidade e o amor. Não existem outros motivos para se viver junto.
G.P.
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